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Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2011

 

Estive à espera... Passei as últimas oitenta horas (salvo erro) à espera, a projectar, a alterar e a pensar em como me apresentar, no que dizer e a procurar suspeitar o que me dirias. Já estou vestida, é verdade... Quatro horas antes de me encontrar contigo já estou pronta. Talvez isto queria dizer alguma coisa, talvez me diga que eu sempre estive pronta e que a direcção da linha nunca dependeu muito da minha vontade. Vesti-me de uma das tuas cores preferidas, o roxo, e tenho as tuas botas calçadas. Estou também de vestido para melhor incorporar a minha puerilidade e assim ter permissão para me sentir envergonhada na tua presença. Eu não sabia o que ias dizer nem sei agora, mas para mim decerto é especial estar no mesmo lugar ao mesmo tempo na tua presença. Estreei umas meias calças novas, bem quentinhas que ficam bem com o meu casaco de malha cinza. Pus também o meu colar especial das corujas e senti-me feliz por estar bonita porque sabia que me ias ver. O meu cabelo está liso, assim como quando nos conhecemos à quatro anos atrás... Como podes ver eu projecto tudo, penso em tudo e se calhar o meu mal é exactamente promover involuntáriamente este borbulhar de ideias e sentimentos que teimo em expulsar para fora. As coisas pequenas para mim são enormes e qualquer palavra é um mundo para mim, um novo conceito. Eu reparo nos detalhes... Eu, eu, eu... tu? Onde andas? Pensava que te tinha visto estes dias, mas se calhar foi ilusão minha. Acho que fugiste de mim, acho que pegaste num chupa-chupa e te encostaste confuso a uma parede e te fundiste com ela. Daí eu não te ver mas toda a gente falar de ti... Onde andas? Não vens hoje? Não vês que esperei que as flores florescessem e fechassem, que os pássaros cantassem de manhã, que as luzes acendessem e apagassem, que as pessoas entrassem e saíssem, que as aulas começassem e acabassem e que tu dormisses e acordasses e que tudo parasse? Não vês que esperei isso tudo e nunca me esqueci? Então porque me deixas aqui, vestida de púrpura, já calçada, sem nunca teres a oportunidade de me ver? Já não me queres ver? Já não és curioso pela maneira como te digo olá ou sorrio para ti? Perdeste a sensibilidade das coisas pequenas ou simplesmente já não me queres? Porque não respondes? E quando eu, lacrimejando, engolindo a saliva, digo 'se não puderes hoje tudo bem', tu simplesmente agradeces? O buraco pretosubcarregado de sentimentos, pensamentos, esperança, expectativas e ideias desaparece! A mente fica vazia, o coração chora e tu apenas me agradeces... Porquê? Eu estava pronta. Tu não? Então porque continuas a aparecer em cada partícula de ar que respiro? 

Amava saber odiar-te, assim ao menos não havia buracos, o relógio deixava de ser importante e cidades iam-se erguer no meu horizonte. Não quero que tenhas pena de mim, só quero poder vestir-me de lilás e que gostes... 


publicado por sawyer às 13:11