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Sexta-feira, 06 de Janeiro de 2012

 

Estou com raiva de ti. Esta sensação de braços pesados persegue-me por dias e começo a ficar farta de ti. Farta da tua incapacidade de comunicação, da tua falta de bom senso e se seres mais mesquinha que eu ainda. Eu só quero por o raio das pilhas num relógio qualquer e ver se aquilo continua a andar ou se não há concerto possível. Cansei de estagnação, de expectativas, de olhar para o mesmo ponto repetitivamente e de julgar que bem no fundo da corrida tu ainda tens os olhos cor de mel e que me derreto com eles nos teus braços enquanto tu sorris para mim. Não há palavras singelas, refinadas nem metáforas filosóficas quando não mereces de mim outras que estas, grotescas e brutas. Que mania essa de cilar-me as passagens, de ter teorias todas trocadas e sem sentido qualquer. Mas que raio é que andas aqui a fazer com os pés calçados no chão e de barriga cheia? Quem te quer assim? Emproado, de queixo subido e com esse sorriso esguio como se daqui ainda levasses algo. E depois eu é que tenho de aguardar pelo troco duzentos dias depois?... Não. Por daqui a uma semana voltas com o mesmo jeito? Como te atreves? Mas como te sujeitas a viver em dois universos diferentes e a arranjar maneira de não colidirem de modo nenhum? A partir do momento em que metes um dedo sequer que seja aqui deste lado sem uma palavra sequer digna de me ser dirigida, o que reservo para ti são só catástrofes. Tira-me do sério esta barreira sem escrúpulos, esta coisa opaca, sem conteúdo, sem qualquer sentido. Para que é que andei eu aos murros e aos berros sufucantes quando estava tudo preto e não te via, se agora que te vejo quero-te é bem longe de mim? Eu tenho muralhas, canhões, pântanos, fogo, arcos e espadas afiadas e ainda me vens bater à porta? És doido homem? Tenho tanta raiva de ti que Deus me perdoe mais tarde que agora não é possível... Mas tu vens?! Se quiseres entrar entra pelo portão, de joelhos no chão, de rosas ao peito, com lágrimas nos olhos... Não entres e saias de mansinho como qualquer vadio. Neste momento não há qualquer alma que me sirva. Experimenta... 

 

Estou com raiva de ti. Deus me perdoe. 

publicado por sawyer às 01:53