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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

 

(Exerto nº 2 do meu livro - Depressão de Nanda, Pág.20/21)

 

 

"Estava cansada do gosto dos meus lábios. Por mais doce que fosse cada pequena partícula da minha pele, nenhum aroma o poderia trazer de volta, nem mesmo as minhas maçãs rosadas - que ele tanto prezava em manter como se fossem o único pequeno diamante existente neste generoso mundo. Pelo meu rosto a baixo cintilavam indícios da sua ausência. Sentia a inexpressável dor a passear pelos meus olhos, tombando nos meus joelhos onde repousava o meu rosto. Unida a mim mesma, balançava para a frente e para trás, imaginando que, por um suspiro, tudo caminharia sem que precisasse sequer de sair daquele lugar. Poderia eu sentir o sol sem me lembrar do brilho da sua pele? - preferia não arriscar. 

 

Resguardando-me de tudo de que fugia, penteava os meus cabelos de uma forma regular, vezes sem conta, de cima para baixo, fazendo deslizar os dedos suavemente entre cada fio de cabelo, sem os magoar. Agora que sabia o que um pequeno toque poderia causar, a delicadeza tomava conta de mim para onde quer que me virasse. Esta minha sensibilidade reflectia em mim como se espelhos me acusassem. Era óbvio que no vazio o preto me auxiliava, mas quando as horas tomavam conta do dia, eu própria me mostrava para o mundo. Não sei se por não ter outra escolha ou se por indiferença e conformidade comigo própria. Estava determinada a ser aquela pessoa indiferente, sem vida, até que um dia justiça se fizesse e eu voasse!

 

(…) constatei que uma sombra me rondava, seguindo os meus movimentos, traçando o meu respirar de uma forma tão perfeita que seria correcto dizer que era outro eu… ali projectado naquela parede - a parede azul do meu quarto. Olhei de relance para trás. As cortinas das janelas dançavam agora ao som do vento. Ao pousar os meus olhos exactamente na mesma parede azul da sombra dei por sua falta. Sentia uma insegurança tremenda que já nem na minha apurada visão confiava. Seria o meu desespero por partir? Ou o desespero por alguém que me impeça? Alguém suficientemente mais importante do que qualquer motivo que me faça ir."



Dedicado a Margarida Torres

 

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publicado por sawyer às 23:26
música: Toranja, Música de Filme; Plum, Cut

Não... Estou cansada de seguir a minha rotina e dar de caras com pessoas que fazem de mim o que lhes apetece, não respeitam e usam.
Cansei de ser usada. Não sou um boneco, não sou inanimada, não sou nada disso!
Tenho sentimentos e preciso de carinho. Não preciso que me andem todo o dia a esbofetar, a pedir perdão, a perguntar "estás chateada?". São sempre as mesmas palavras, são sempre as mesmas acções... Falta de respeito é o pior de todos!
A cima de todos, quem mais me magoa acaba por ser a Aislin. Porque é aquela em quem eu tenho mais confiança e esperança. Todas as palavras que ela diz que não caem bem, todas as acções menos boas... eu calo e sigo. Sou burra.
Eu é sou a ingénua e deixo-me usar.
Porque eu gosto dela senão eu nem me importava. Porque eu quero o bem dela, senão já lhe tinha virado as costas.
Eu respeito, mas se ela não o faz então eu também não o deveria fazer. "Cala-te...!" não lhe fica bem, principalmente porque eu a imaginava uma boa ouvinte. Mas o que aconteceu? desiludi-me mais uma vez.
Não sei se vale a pena dizer "gosto de ti" a ela. Não sei se vale a pena gastar mais energias com ela, Sawyer
Aponi a 24 de Novembro de 2009 às 20:50

Estou cansada de acordar todos os dias e ter sempre o mesmo pensamento de manhã... Estou cansada de ser questionada por coisas que me é dificil falar, cansada de pisar todos os dias as mesmas calçadas... Tive uma noite diferente que me fez esqueçer o mundo mundano e igual que piso todos os dias... Só peço uma coisa diferente de dia para dia para não me cansar de estar aqui... Espero e aguardo majestosamente uma resposta que não vem... Espero e aguardo tudo... porque tudo é possivel e eu acredito que...
Não há palavras que descrevam a não-revolta com o mundo mas sim o sorriso que quero dar.
Mas não entendem, vocês, criaturas jovens do mundo, que não é a revolta que me guia? Não é a revolta que vai ser quem eu sou? Que não é a revolta que me leva a ser uma criatura melhor?
Não! Não há revolta dentro de mim! Apenas mágoa de não ter. Mágoa de não ser como o desejo e o sonho me levam a ser.
Não há mudança a olhos vistos... ela é breve e acontece... reparai naquelas pequenas coisas... é aí que esta na mudança. No pequeno, não no grande!

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J' a 28 de Novembro de 2009 às 15:17