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Quarta-feira, 04 de Abril de 2012

 

As cartas são escritas para permanecerem eternas no tempo e serem guardadas num local seguro. Ninguém põe cartas no lixo... Elas também não têm data de validade, então estas talvez sejam dos objetos que por mais tempo permanecem nas memórias físicas do homem. Um cd é posto em qualquer lado. Qualquer outra lembrança também é colocada num local vulgar e pode ser facilmente perdido. As cartas não... Elas vão para qualquer que seja o sitio que entendamos como especial e resguardado, onde as conservaremos por quanto seja o tempo que vivermos.

 

Por norma ninguém escreve uma carta se o assunto não for importante e urgente de ser comunicado à outra pessoa. Ninguém escreve uma carta porque sim. Por precisar de um favor ou querer comunicar qualquer assunto irrelevante. Então nos dias que correm muito menos.... Portanto, estou a escrever-te por achar importante o que te tenho a dizer. E o importante não exclui automaticamente o bom, embora estejamos na maior parte do tempo sujeitos a isso. Portanto com bondade ou maldade o que te tenho a comunicar é urgente de se dizer e fundamental de que o saibas.

 

Tu sabes que às vezes tenho sonhos. Sonhos horríveis em que para mim se andasse um monstro a comer criancinhas acho que acordava menos assustada. Isto porque sonhos destes são automaticamente excluídos da realidade. Agora sonhar com fragmentos da realidade e compô-los de forma a me torcer o coração é muito pior que ver sangue jorrar da cabeça aos pés. Não me orgulho de não saber controlar a direções repentinas dos meus pensamentos e de o meu fio condutor andar a saltar como num trampolim e a bater em tudo o que lhe aparece à frente. Desta forma por vezes é amargo, tanto para mim como para ti, mas acredita que mais para mim, sentir esta mistura de realidades e ter de a saborear automaticamente. Como são composições feitas pela minha percepção da realidade às vezes é muito complicado desviar-me do rasto que crio ao longo do caminho. Acredita que é uma grande treta ter estado lá e tu me dizeres que afinal estou cá. Não o faço por mal. Juro que não. Mas o que os meus sentidos me transmitem é muito mais intenso do que as tuas palavras. Parece que estes picos me desencorajam a acreditar sequer que o céu é azul.

 

Á parte dos sonhos há a questão de já nem me aperceber às vezes que te amo. Isto porquê? Porque já não existe às vezes. Passou um ano que me davam aqueles picos de paixão e me apercebia que talvez caminhasse sobre o paraíso. Passou um bom tempo onde eu era crente de que o mundo só existia para nós os dois. Já me apercebi que o mundo não existe para ninguém e que a bolha que nos sustentava no ar já expirou. As coisas têm sido cruas não têm? Suspirávamos e desesperávamos por mais. Sabes qual a diferença de à quatrocentos dias para agora? É que, como disse, já não é às vezes que me lembro de que te amo. É a cada segundo. Amar-te já nem me parece voluntário. Não há opção de escolha. Ou vivo com isso ou morro. Por isso mesmo é que nada se perdeu dentro do meu coração e cabeça. Há dúvidas, como é óbvio. Muitas delas das quais tenho certezas. Mas nenhuma delas coloca em questão os meus sentimentos ou atitudes, embora pense que às vezes posso ter perdido um pouco do que eu era. Mas julgo que tudo isso se deu dado as circunstâncias... As coisas não são fáceis quando querermos dar tanto a quem já nos tirou tudo. Realmente as coisas vão muito além da compreensão humana. Nem entendo porque temos de ser irracionais, mas eu tenho muito disso. Seguindo, falava da imensidão e imortalidade os meus sentimentos mais profundos por ti. O facto de que eu te amo está comprovado pelas estrelas e tenho feito por o reforçar a cada dia que passa. Mas o que acontece é que o amor é cínico. Pede sempre por mais e às vezes não chega nada a este lado. Tem de entrar na tua esfera de compreensão que eu não sou perfeita e por vezes ser-se moralmente correta a cada suspiro por vezes tira-me o ar. E penso que ninguém gosta de andar sufocado. O que eu te quero dizer sem mais rodeios é que, amo o teu esforço em ser homem e procurares me amar, mas entende que eu só mais tarde é que vou entender que isso não é só um esforço. Que talvez faça parte de ti amar-me e que essa seja uma realidade palpável e talvez eu volte a acreditar na imortalidade vinda de ti (apesar de ser muito complicado). Sabes que quem nega uma verdade absoluta uma vez é sempre muito complicado crer que afinal essa premissa nunca sofrer alguma alteração. Fingir também não é muito o meu forte. Se as coisas existiram elas são para ser relembradas e faladas, apesar de o teu forte não ser o mesmo que o meu e adorares colocar uma capa invisível sobre tudo.

(...)

São duas da manhã portanto estou a escrever à hora e vinte e dois minutos. E não há forma de me cansar, pois como te digo, nunca na minha vida inteira te conseguirei exprimir o que sinto e manejo aqui dentro. Nada fará jus à essência que nos compõe. Mas nada me travará de continuar a tentar pelo resto da minha vida. Quero que te sintas feliz ao meu lado... Vivo, realizado... Quero que te sintas uma pessoa melhor por estares comigo e quero que me dês a oportunidade de sentir que aquilo que tens para mim é impossível de superar. Porque não há melhor sensação do mundo do que me sentir amada por ti. (...) Desejo mais do que qualquer outra coisa que essa tua noção de amor por mim seja pura, se não de outra forma nunca será sincera. Nem esperes pelo dia de amanhã por me amar mais, pois isso nunca irá acontecer.

 

Amar é agora, neste momento...

 

 


 

Deste modo, sem qualquer outro assunto a projectar neste blog, o dou como encerrado. Após sessenta e três posts, muita confusão, muita história de modo a que isto é quase um diário quinzenal, dependendo dos meses e dos meus impulsos, penso que escrever mais só iria 'prejudicar' o blog e a essência que o compõe. Não vejo melhor forma de o encerrar se não esta. Agradeço a todos os que o leram e procuraram por mais.

 

Obrigada, Bruna Santos (sawyer)

 

 

 

publicado por sawyer às 19:54