Posts

Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

 

(acompanhamento musical, clica aqui)

 

Existem dias. E eu estou num desses dias. Dias esses em que decido fazer um stand by nos meus tags e começar a postar livremente, sem ter de encaixar o meu texto numa das três gavetas que pré-defini. Realmente não sei porque é que quando nos iniciamos em algo queremos tudo pomposo; do bom e do melhor se, ao fim de dois/três mesinhos, vamos olhar para tamanha pirosisse e exagero e simplesmente arrancamos o rótulo, deixando assim a garrafa nua e vazia. Para ser sincera, acho que também assim o prefiro: sem compromissos.

 

Acabo por me encarar como uma simples e mera estranha à medida que os dias passam... Primeiro porque olho para coisas que fiz e reago como uma boneca de trapos a quem cozeram um sorriso de orelha a orelha; e depois porque posso ter deixado passar lapsos que vêm a constituir um novelo que teima em me seguir, mas para o qual nunca olho. Sou eu que sou completamente estúpida e ignorante ou essas questões não valem sequer o esforço que  supostamente faria ao olhar para trás? Será que encontro hoje um propósito pelo qual não vale a pena arriscar qualquer coisa de mim? Ou ser directa, nua e crua despida de todas as antigas metáforas e personificações faz de mim uma pessoa mais cruel e desinteressante?

 

Todos nós estamos em crescimento. Era mais que esperado que a minha personalidade se expusesse a alterações (que inevitávelmente teria de sofrer), até me constituir mulher de nome e alma, mas será que o resto do mundo sabe? Será que Eles não sabem de mim e do que procuro? Ou fui eu que nunca me dei a conhecer? Tenho ideia da minha radicalidade e do engenho da minha paciência (o que não queria dizer que a 'tampa não pule fora' um dia), mas talvez o quotidiano não seja mais algo que me satisfaça e eu necessite de mudanças sistemáticamente - o que não exclui os humanos na minha vida, pelo contrário, abro as portas a quem quer que seja que almeje tanto a liberdade quanto eu.  Portanto, por tudo o que sou, considero-me criança - é de certo verdade -, mas amo-me por o ser e conseguir reconhecer em mim pedaços incompletos de uma mulher adormecida que vai nascendo gradualmente dentro de mim. Felicito-me por me julgar já tão 'banana pronta a comer' e saber que mais virá! Crescer é a mais bonita das experiências Humanas.

 

Antes de me retirar deixo-vos aqui um pedaço de quem ainda sou:

 

Talvez por ser tão demais para mim não seja nada demais para ti; para ti que deixas os teus olhos se deliciarem e comeram as palavras que redijo no ecrâ apagado; Mas deixa-me que exalte o sabor dos teus lábios diante do mundo. Não sei se sabes, mas também nunca to direi que não creio que sigas os meus passos quando nos deixarmos seduzir pelas estrelas e eu me guiar pelo norte e tu pelo sul. Não deixo de manter a fé de que, mesmo nesse estádio agreste e vadio, o nosso magnetismo - que tenho vindo a julgar inquebrável - não cedará à tentação de nos deixar livres; livres de volta para aquele infindável mar de à dias atrás. Não te esqueças, dentro do mar não há rios... só negra imensidão.

Quanta água existe nos oceanos ?

 

publicado por sawyer às 20:15
música: The XX
tags: