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Segunda-feira, 03 de Maio de 2010

 

 

Hoje foi o primeiro dia e já sinto a rigidez do meu dom fraquejar como se me houvessem apagado a borracha o amparo de baixo dos meus pés. Não me sei pronunciar; não me sei expressar nem sequer mesmo sentir o que deveria estar a sentir depois de ter dito adeus pela aquela que eu julgava ser a última vez. Disse que não. Mas porque será que não o sinto? Porque não me arde o peito de tanto suster a respiração que, supostamente, me faria tremer as mãos? E porque é que as lágrimas que deveriam agora teimar em varrer a minha pele não me chamam? Não posso ser apática; não quero ser… estática?! Diz-me, é assim que me vês? Parada, imóvel como a boneca que manténs junto ao teu peito; que teima em findar e gravar-se no tecido que se funde com o cheiro húmido e humano do teu corpo quente.

Talvez tenhas pensado que eu e tu – nós – seriamos para sempre como o foco que surgiu sobre as nossas mãos sobrepostas naquela noite escura, mas não foi isso que pintei quando a tua pele se agregou à superfície da minha. Se criei ilusão nos teus profundos e selvagens olhos cobertos de mel peço eternamente um ingénuo perdão, mas eu pensava que dormitava quando me via enroscada nos teus braços quentes e pensava estar perdida quando dava pela minha nuca encostada ao teu peito onde o teu coração batia ritmicamente.

E porque continuo eu a chamar-te de “amor”? Será que simbolizas tamanha grandiosidade ou digo-o pecaminosamente como quem dá esmola ao cego? Talvez um dia, meu amor, eu tenha o impulso de te rogar que me beijes!

São outras batidas e vozes que não as minhas que me invadem a mente e me arruínam o silêncio… és tu que surgiste.

publicado por sawyer às 21:29
música: City and Colour

Querida Sawyer,
digo-te, hoje, sinceramente, que talvez me encontre de fora.
Não, não é esse fora: de abandono. Não o é, felizmente. :P
Mas realmente ando um bocado afastada e nem te tenho perguntado: "como estás?". Desculpa por isso.
Pelo teu post - que eu acho genuinamente fantástico - vejo realmente que tenho que estar aqui.
Vem para o meu ombro e... sopra as palavras como sempre o fizeste.
Qualquer coisa, pequena Aislin, eu estou aqui.
Aponi a 9 de Maio de 2010 às 10:58