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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

 

 

Ontem fundámos uma estrada. Pusemos o alcatrão, definimos o nome da rua, acrescentámos algumas derrapagens de carros, camiões e bicicletas e soprámos para que as folhas caíssem no chão e a poeira levantasse. Hoje ninguém sabe que lá estivemos; Ninguém suspeita que explodimos com as tampas de esgoto e que incendiámos a estrada. Já te disse que não sou problemática, que o mundo não é complexo só porque o vivo assim. A incógnita surge das ações imprevisíveis, das não sentidas palavras e dos olhares descabidas sem sentido que vêm a contrariar tudo o que já foi feito. Mordo o lábio nas tuas costas porque nada me satisfaz. Porque o universo já foi meu e agora não sei se o estou a construir de novo ou se estou apenas a restaurar uma rua para mais tarde me assolares. Tenho o semblante de um anjo mas por dentro há conflito, guerra, revolução, dúvidas, questões, contradições e muita axiomática.  E as minhas teorias, de tantas que são, ficam a boiar, a marinar na massa inflamada do meu cérebro.

Eu gosto que me mantenhas a sorrir; que me faças colidir com o mundo por dentro, mas simultaneamente me mantenhas suspensa em cima de uma nuvem, com os meus olhos ternos e incandescentes de amargura e paixão. Claro que gosto que adivinhes as minhas necessidades e que as satisfaçam mesmo quando não as tenho. Admitir coisas não é o teu forte, já esperar por elas é o meu maior erro. Como disse... tenho o universo por assimilar, as minhas teorias por esclarecer. Andamos a conhecer novas ruas ou a reconstruir bairros, aranha-céus e desertos? Queres mostrar-me que o fogo existe e destrói? Ou pretendes soprar-me as cinzas na cara e desmanchar-me o coração ao pisares o meu pequeno monopólio de conquistas? Queres ter pena da minha puerilidade e contraires-te ou suar porque me vez como uma mulher? Em que mundo vives? Ou estás suspenso entre as estrelas, apagado para a humanidade, a snifar do melhor da vida e isto não te diz nada? És um cometa? ... Quem me dera que fosses.

Os feitos são construídos, conquistado e temos mérito por eles. Mas o que seria de mim se não usasse uma adversativa? Mas, mas, mas... Mas então que raio é isto? Que coisa é esta? É pó? É uma leve condensação e junção de aromas? Um toque? Uma fraca agregação? Ou é tão puro quanto o santo que nada é? Há muita coisa que quero esconder de ti porque quero manter o caminho suportável. Quero que andes pelo meio da estrada, sem carros a alta velocidade, sem velhinhos que não param na passadeira, bicicletas que te passam à frente, camiões que te molham quando caminhas à beira da estrada porque ontem choveu. Quero que andes... De olhos fechados, sem medo, com certezas e confiança, bem no meio da rua, satisfeito e seguindo o traço continuo. Só quero que andes... Não pares no sinal vermelho, nem temas o amarelo. E que nada colida contigo. Peço a Deus. 

publicado por sawyer às 20:05

Adoro as músicas que postas aqui!

já agora...decidi entrar na pintura com a filha do director... obrigada pelo empurrao(zito) ;)
beijinhos, fica bem!
Matilde a 16 de Janeiro de 2012 às 19:49

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